segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O lado cor de rosa do tráfico

Por Juliana Brasiel

O número de mulheres envolvidas com o tráfico de drogas está aumentando a cada dia no Brasil, chegando a 20% da participação nas organizações criminosas. Há mais ou menos dez mil brasileiras presas por envolvimento com drogas e mais de 500 detidas em prisões européias.

Os motivos que levam as mulheres a se envolver na criminalidade são, em sua maioria, a “obediência” à seus parceiros sexuais ou afetivos e o sustento de suas famílias. Muitas delas chegam a assumir papel de destaque na estrutura criminosa. Como exemplo, estão as famosas “tias do tráfico”, peças-chave da confiança dos donos do morro. Elas podem cuidar de bandidos feridos, dar abrigo aos que saíram da prisão, vigiar a comunidade e até efetuam pagamento de propina aos policiais.

Essas e mais histórias sobre o envolvimento das mulheres com o tráfico de drogas foram contadas no livro "Falcão – Mulheres e o Tráfico", escrito pelo rapper MV Bill e seu produtor, Celso Athayde.

“Mãe de favela é fábrica de marginal”

Além do envolvimento direto com o tráfico, as mulheres também seriam fornecedoras de mais mão-de-obra para o crime organizado, pelo menos é que diz o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. Para o governador, a legalização do aborto pode ajudar a reduzir a violência no estado, pois as mulheres das favelas irão parar de “produzir” delinqüentes.

- Não tenho a menor dúvida de que o aborto (como política pública) pode conter a violência, disse Cabral.

Ele acrescenta que “a questão da interrupção da gravidez tem tudo a ver com a violência” e que “a redução da violência nos Estados Unidos na década de 90 está intrinsecamente ligada à legalização do aborto em 1975, pela Suprema Corte”.

- Sou favorável ao direito da mulher de interromper uma gravidez indesejada, afirmou.

Cabral ainda faz uma comparação entre as pessoas mais estruturadas que são de classe média e as menos favorecidas. “Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”, acrescentou.

Mesmo afirmando que a fábrica de bandido está na favela, o governador garante que quem financia o tráfico são os usuários de drogas das classes A e média alta, que em sua maioria são os “moradores dos padrões suecos”.

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