segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Cresce a participação de mulheres no tráfico de drogas

por Ravi Arrabal

Nos últimos anos tem sido maior a participação da mulher no tráfico de drogas. Entre janeiro e agosto deste ano, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) prendeu 148 mulheres. No mesmo período em 2005, foram realizadas 84 detenções. Essas mulheres, na maior parte oriundas da classe média, são principalmente utilizadas como “mulas”, ou seja, transportam drogas em seus corpos.

Muitas explicações são utilizadas para a crescente atuação feminina no tráfico. Uma delas é a de que os traficantes acreditam que mulheres de boa aparência conseguem escapar da fiscalização da polícia. Além disso, por conta da entrada em vigor da Lei do Abate , que permite o ataque, por parte do governo, dos aviões suspeitos de ilegalidade, os traficantes preferem utilizar vias alternativas de transporte, que não o fretamento de pequenos aviões de carga.

Tal fenômeno evidencia ainda mais o crescimento do poder do tráfico de drogas. Há indícios de que elas participam de todas as atividades comuns nas bocas-de-fumo, como responsáveis pela segurança dos chefes, preparando e vendendo as drogas e até algumas como donas do negócio. Há mulheres que pagam propinas a policiais, cuidam dos feridos, ajudam os que saem da prisão e até satisfazem sexualmente os traficantes. Muitas participam deste esquema, pois sofrendo dificuldade financeira, desempregadas ou mães solteiras, são aliciadas pelo “dinheiro fácil” do crime, para assim sair do estado de miséria.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tem propostas que procuram enfraquecer o poder do tráfico na realidade carioca. Uma delas é a da legalização das drogas. Cabral defende um projeto internacional para discutir esta alternativa, por considerar como hipócrita a proibição e a maneira como essa questão é abordada pela sociedade. Cabral também defende a legalização do aborto como maneira de diminuir o índice de criminalidade, por considerar as favelas do Rio como “uma fábrica de produzir marginal”.

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