segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mulheres no tráfico

Por: Rafael Marques

Segundo um estudo que serviu de base para o livro “Falcão – Mulheres e o tráfico”, cada vez mais mulheres estão ocupando posições no tráfico de drogas do Rio. Antes limitadas a funções pequenas, as mulheres, agora, estão assumindo diversos cargos dentro da hierarquia do tráfico carioca; elas vendem comida, compram roupas, cuidam dos feridos, ajudam os traficantes que saem da prisão, pagam propinas a policiais etc. Algumas chegam até a ser "gerentes de boca" ou "donas de negócio".
Atraídas pelo falso glamour que o mundo do crime representa e atrás de reconhecimento, drogas e dinheiro , estas mulheres acabam entrando para um mundo de onde, devido à dependência econômica, dificilmente sairão. Até uma rede de prostituição foi criada dentro das próprias comunidades para atender os falcões, são as chamadas “boqueteiras do tráfico”.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, defendeu a legalização do aborto no combate à violência urbana. Ele se baseou em um estudo norte-americano que mostra a diminuição da violência no país a partir de 1975, quando o aborto foi legalizado. Cabral afirmou que as favelas são fábricas de marginais, e comparou o número de filhos por mãe na Rocinha ao de países como Zâmbia e Gabão.
Atualmente, acredita-se que, pelo menos, 20 % dos serviços das bocas-de-fumo sejam desenvolvidos por mulheres. A atividade que mais emprega mulheres no tráfico ainda é o transporte de drogas, dinheiro e armas entre as favelas dominadas pela mesma facção. Rapidamente, o fascínio inicial pelo convívio com os traficantes dá lugar à necessidade de sustentar suas famílias.

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