terça-feira, 30 de outubro de 2007

Mulheres no Tráfico

Por: Gabriela Rabinovici

A participação de mulheres no tráfico de drogas é uma questão que tem ganhado cada vez mais espaço na mídia. Estima-se que 40% das condenações femininas foram por envolvimento com o tráfico e que só no Brasil as prisões cresceram quase 80% ano passado.
As chamadas “mulas” transportam todos os tipos de drogas que vão geralmente parar em outro estado ou país.

O transporte é feito de diversas formas, como subcutânea, intravaginal, anal e, em muitos casos, elas engolem a droga em cápsulas correndo o risco de romperem em seu interior, o que provocaria a morte. Porém, essa participação também se dá indiretamente, seja como tesoureira da boca de fumo, enfermeira dos traficantes feridos em confrontos ou para satisfação sexual da quadrilha.

O envolvimento feminino possui diversos motivos, entre eles à submissão ao parceiro, também traficante, à necessidade de sair da miséria, como é o caso das mulheres de classe mais baixa ou até mesmo por ambição, por querer rápida ascensão social, como é o caso das mulheres de classe média. Fica claro que a inserção de mulheres no tráfico adquiriu essa proporção pela falta de incentivos sociais, principalmente nas favelas, onde esse tipo de crime é mais comum.

Em declaração, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, justifica que o aumento da violência e do tráfico se deve ao grande número de pobres nascidos em favelas e que por fim, tornam-se criminosos. “Isso é uma fábrica de produzir marginal”. Porém, mais que ninguém o governador sabe que trata-se de uma questão estrutural, que as zonas mais pobres necessitam de atenção especial, como programas visando principalmente à educação e não da adoção ao aborto como ele mesmo sugere. Nesse caso, cortar o mal pela raiz não seria suficiente.

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