segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Aborto: Quem deve decidir?

Por Bianca Piquet

Quando foi decidido que a pauta a ser abordada era sobre a questão do aborto fiquei feliz. Achei que seria fácil dar minha opinião. Sou contra e pronto. Mas logo parei para pensar e vi que em casos como estupro, riscos para a mulher e para o embrião eu era a favor. E durante a apuração de dados percebi que a discussão, pela legalização ou não do aborto, era muito mais ampla do que eu imaginava e envolve desde aspectos morais, éticos, legais e até religiosos.

Pela lei brasileira a mulher não tem o direito de escolher sobre o futuro de sua gravidez e mesmo contra vontade deve ser levada até o final – exceto em casos de estupro e risco de vida para a mãe. Mas, o fato é que o aborto continua acontecendo, então o que deve ser pensado é como controlar os casos de gravidez indesejada e como se pode evitar que os abortos se dêem sem oferecer risco a vida da mulher.

No Brasil a cada cem mil operações realizadas em clínicas clandestinas, cem mulheres morrem, sem contar com os que são feito em casa e que não entram nas estatísticas nacionais. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos cinco anos, 1.205.361 mulheres foram internadas nas redes públicas devido às complicações resultantes de abortos clandestinos.

Um dos argumentos de quem
apóia a legalização é que os cidadãos devem ser livres de agir de acordo com as suas consciências. Eles acreditam que só a despenalização do aborto permite garantir as mulheres que estejam firmemente determinadas a abortar o farão em condições seguras e não traumatizantes. Os que votam contra dizem que, quando uma mulher aborta, ofende a liberdade e o direito à vida do bebê.

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